As Japas da Cerveja: O sabor de diferentes repertórios, contextos e ancestralidade, que está conquistando o mundo.

A entrevista que você vai ler faz parte da edição “A Histeria Sagrada” do The Ugly Code, um artefato dedicado a investigar ideias, cultura e estratégia fora das fórmulas habituais. Nessa edição reunimos mulheres que atuam em diferentes campos para pensar o feminino a partir de suas práticas, trajetórias e visões de mundo. O conteúdo completo da revista é distribuído semestralmente, de forma exclusiva, para os membros do Clube de Estratégia. Esta publicação funciona como uma pequena janela para essa curadoria. Aproveite!


Entrevista com Fernanda Ueno e Maíra Kimura por Diessica M. Luiz

A Japas Cervejaria é formada por mulheres nipo-brasileiras que já atuavam no mercado cervejeiro quando decidiram criar um projeto próprio. 

Fernanda Ueno é engenheira de alimentos, sommelière e mestre cervejeira, construiu sua trajetória passando por diferentes cervejarias no Brasil e no exterior, com foco em processos, qualidade e inovação. Foi head brewer da Cervejaria Colorado e atuou como cervejeira de inovações e gerente de projetos em marcas internacionais da AB Inbev: Bogotá Beer Company, Birra del Borgo, La Virgen e Brouwerij Bosteels e Camden Town Brewery.

Maíra Kimura combina sua formação como mestre cervejeira com experiência em marketing, negócios e P&D, atuando na estruturação da marca, desenvolvimento de produtos e expansão. Ao longo da trajetória, foi sócia de uma das primeiras marcas ciganas do Brasil, além de uma distribuidora e um tap room.

Yumi Shimada é designer e diretora de arte, é responsável pela construção visual da Japas, desenvolvendo rótulos e uma identidade que parte da colagem como linguagem e organiza a estética da marca. Também já atuou em campanhas e trabalhos para diversas marcas como Netflix, Adidas, Tanqueray, Amazon, Bank of America, Asics, Unilever, Coca-Cola, Nestlé, entre outras, além de projetos que vão de aberturas de novelas da Globo a videoclipes de artistas.

Juntas, elas constroem uma cervejaria que opera a partir de uma visão própria, tanto no desenvolvimento das receitas quanto na forma como a marca se apresenta. A relação com a cultura japonesa aparece como parte desse processo, passando por ingredientes, histórias familiares, pesquisa, contato com a comunidade e escolhas visuais únicas.

Hoje, a Japas atua no Brasil e em outros mercados internacionais, ampliando sua presença sem alterar a forma como constrói seus produtos e sua comunicação.

Em janeiro de 2026, conversamos com Fernanda e Maíra via chamada de vídeo. Elas estavam em cidades diferentes, cenários diferentes e ainda assim mostravam uma sinergia invejável, onde uma quase completava as frases da outra. A conversa seguiu com naturalidade, refletindo uma dinâmica de trabalho que já se desenvolve há anos e que é o exemplo claro, de uma parceria que é fermentada no dia a dia e a muitas mãos. 



Antes de criar a Japas, vocês já eram super ativas no mercado cervejeiro. Como esse caminho foi se cruzando até vocês decidirem criar algo juntas?

Fernanda Ueno: Na época, todas nós já trabalhávamos no mercado cervejeiro. Eu estava na Cervejaria Colorado, em Ribeirão Preto. A Maíra era uma das fundadoras da 2Cabeças, uma das primeiras cervejarias ciganas do Brasil, e a Yumi já desenvolvia rótulos e projetos gráficos para outras cervejarias, além de capas de revista do segmento.

A gente se encontrava com frequência em festivais, cursos e eventos. Eu conheci a Yumi em um curso de sommelier de cervejas, em 2012, e a Maíra entrou nesse circuito também, nesses encontros do próprio mercado.

O que aproximou a gente de fato foi uma situação bem simples. Estávamos em um bar, tiramos uma foto e postamos com a legenda “japas da cerveja”. A partir daí, começaram a marcar outras meninas, comentar… e aquilo acabou conectando a gente.

Veio daí a ideia de fazer uma cerveja juntas, sem muita pretensão no começo, mais como um experimento.

Eu tinha acesso a um equipamento na Colorado e começamos a testar receitas. Desde o início, já existia essa vontade de trabalhar com ingredientes japoneses, então fizemos uma base e dividimos em quatro versões, cada uma com um ingrediente diferente.

Levamos tudo para São Paulo, para a casa da Yumi, e provamos juntas. A que mais gostamos foi a com wasabi, que acabou dando origem à Wasabiru, uma American Pale Ale que continua no nosso portfólio até hoje.

Cerveja Wasabiru [310ml] – American Pale Ale. Primeira receita das Japas, mistura Wasabi e técnica dry hopping com lúpulo Cascade. Reprodução: Japas Cervejaria


Em que momento vocês perceberam que esse experimento começou a se estruturar como marca?

Maíra Kimura: Depois que a gente fez essa primeira cerveja na panelinha, surgiu um convite para produzir um lote maior na Cervejaria Nacional, em São Paulo. Era um volume de cerca de 700 litros, no fim de 2014.

No começo de 2015, a gente fez o lançamento lá mesmo, com uma festa que acabou tendo uma repercussão muito maior do que a gente esperava. Participaram imprensa, revistas, muita gente que a gente não imaginava que iria aparecer.

Em menos de uma semana, a cerveja tinha acabado. Foi nesse momento que a gente percebeu que existia algo ali. Não só um produto interessante, mas uma marca também porque, mesmo sem CNPJ, a gente já tinha nome, já tinha rótulo, já tinha uma identidade.

A gente já era um coletivo, de certa forma. A partir disso, decidimos estruturar melhor o projeto, abrir empresa e começar a produzir de forma mais consistente.


Vocês escolheram desde o início operar como cervejaria cigana. Como esse modelo influencia o jeito como vocês criam e conduzem a marca?

Maíra Kimura: A gente nunca teve uma cervejaria própria. Desde o começo, a produção foi pensada nesse modelo mais nômade, em parceria com outras cervejarias.

Isso permite que a gente tenha bastante proximidade com o processo, mesmo sem estar o tempo todo na fábrica. A gente desenvolve as receitas, define tudo [quantidade de malte, lúpulo, levedura] e acompanha a produção junto com o time das cervejarias parceiras.

Funciona muito como uma receita mesmo. A gente estrutura e passa todos os detalhes, eles executam a partir disso.

Ao mesmo tempo, esse modelo também abre espaço para que não fiquemos restritas à operação. Assim, conseguimos dedicar mais tempo à criação, ao desenvolvimento de novos produtos e a pensar a marca de forma mais ampla.

Cerveja Matsurika [310ml] – Bohemian Pilsener. Receita com pétalas de jasmim. Reprodução: Japas Cervejaria


Fernanda Ueno: Conforme fomos crescendo, esse modelo também facilitou a expansão. A gente começou a produzir em outros lugares, inclusive fora do Brasil. Isso exige um cuidado grande na escolha das parcerias, por isso, a gente sempre avalia os equipamentos, os processos, a rotina de qualidade… e, principalmente, a própria cerveja que aquela cervejaria produz.

Já aconteceu de conversarmos com várias empresas que não fizeram sentido para a gente. Então, quando encontra uma que dá esse match, aí sim a gente segue.


Quando vocês começam a desenvolver uma nova cerveja, de onde essa criação parte? Existe um ponto de partida ou isso muda a cada projeto?

Fernanda Ueno: Geralmente, tudo começa pelo estilo. Às vezes existe uma necessidade mais prática, como pensar em uma cerveja mais leve e, a partir disso, vamos entendendo quais estilos fazem sentido dentro desse perfil, porque tem centenas de estilos de cerveja [risos]. Tem várias coisas muito específicas. 

Mas, em muitos casos, a criação nasce de um contexto.Por exemplo, em 1918, chegou o primeiro navio japonês com imigrantes aqui no Brasil. Então, em 2018, fizemos uma cerveja para homenagear os 110 anos da imigração japonesa. A partir disso, descobrimos um ingrediente que também é imigrante, que é o Dekopon, uma tangerina japonesa e criamos a Kasato Maru, uma New England IPA.

Cerveja Kasato Maru, uma New England IPA em homenagem aos 110 anos da imigração japonesa no Brasil. Reprodução: Japas Cervejaria


Maíra Kimura: Esse tipo de projeto acabou abrindo outro caminho de investigação.

Começamos a pesquisar em quais navios de imigração nossas famílias vieram para o Brasil e cada um desses navios virou uma cerveja, com ingredientes diferentes.

Em um desses momentos, apareceu uma descoberta muito específica: a família da Yumi e a da Fernanda imigraram no mesmo navio, só que em anos diferentes. Como essa linha era de IPAs, isso virou uma Double IPA, meio como uma brincadeira, mas também como um jeito de registrar essa coincidência e transformar essa conexão em cerveja.

Fernanda Ueno: O mais curioso é que isso não era um repertório que a gente já tinha. Não existia tanta familiaridade com esse lado da cultura japonesa, acabamos descobrindo um monte de coisas sobre nossas famílias nesse processo.

Então, ao mesmo tempo em que as cervejas vão sendo criadas, essas histórias também vão aparecendo. Uma coisa acaba puxando a outra.

Tem aí um aprendizado que vai sendo compartilhado, mas sem essa pretensão meio professoral. É mais um processo de descoberta mesmo, somos nipo-brasileiras e vamos juntos entender de onde viemos e o que fazer com essas informações. A gente se redescobre o tempo todo e acho que isso traduz muito a nossa marca.


Vocês trabalham com muitos ingredientes diferentes, inusitados e conectados à cultura japonesa. Como isso entra no processo de criação?

Maíra Kimura: É uma relação muito direta, porque acaba influenciando até o ritmo da nossa produção. Teve uma fase em que a gente estava lançando quase uma cerveja por mês, só que isso sempre aconteceu dentro de uma lógica muito sazonal.

A gente trabalha com ingredientes de verdade [frutas, ervas, raízes] e isso muda completamente o processo. O gengibre da Oishi, que é a nossa Witbier, é gengibre de verdade, processado na fábrica.

O yuzu, que é um cítrico japonês que a gente usa, só aparece em uma época muito específica, entre fevereiro e março. Então, quando ele chega, a gente faz o máximo de cerveja possível naquele período.

Nem tudo pode ser replicado o tempo inteiro e está tudo bem. A gente trabalha com o que está disponível, respeitando o tempo dos ingredientes.


O nome “Japas” carrega uma história e não é uma escolha neutra. Em que momento ficou claro que assumir esse nome também era assumir um posicionamento?

Fernanda Ueno: Isso veio desde o começo, desde a primeira cerveja. O post que conectou a gente já tinha essa ideia de “japas da cerveja”.  Existia uma conversa ali. Assim como outros grupos fazem com termos ligados às suas próprias origens, fazia sentido para nós também assumir essa palavra e dar outro significado para ela.

É uma forma de falar: a gente tem nome, tem história, e pode se colocar a partir disso.

No início, nem todo mundo entendia. Teve cliente que não gostava do nome, que não queria trabalhar com a marca por causa disso. Foi um processo mais lento, de ir mostrando o que existia por trás, o que estávamos construindo e com o tempo, isso foi mudando.

Hoje acontece o contrário. Tem gente que fala que antes tinha vergonha de ser chamada assim e que, depois de conhecer a Japas, passou a ter orgulho. Nos eventos, isso fica muito claro. Tem uma presença muito forte da comunidade japonesa e asiática no geral. Ver isso acontecer [esse movimento de ressignificação] é muito importante para nós.

Fundadoras da Japas Cervejaria [Da esquerda para direita: Fernanda Ueno, Maíra Kimura e Yumi Shimada] [2025]. Foto por: Bruno Fujiii


A marca de vocês tem uma construção estética muito própria. Como essa linguagem visual foi sendo desenvolvida?

Fernanda Ueno: Isso vem muito da Yumi. Ela é artista, trabalha com colagem e direção de arte, então toda essa parte visual nasce muito do trabalho dela. Muitos rótulos são feitos a partir de colagem manual mesmo e depois isso é digitalizado para virar o rótulo.

Maíra Kimura: O próprio logo já carrega essa mistura. Tem o losango, que remete à bandeira do Brasil, e a cor vermelha, que vem da bandeira do Japão. Então, desde o começo, existia essa intenção de representar esse encontro entre os dois lugares.

Fernanda Ueno: E tem um cuidado também em fugir de caminhos mais óbvios.

Não fazia sentido usar elementos muito estereotipados da cultura japonesa, como gueixa, dragão… então a Yumi foi construindo uma estética mais própria, mais refinada. Ao mesmo tempo, também existia uma vontade de se distanciar do que a gente via no mercado cervejeiro, que era muito centrado em uma estética mais masculina, com caveira, barba, esse tipo de coisa.

Além disso, a nossa marca é construída com muita consistência. Se você olhar os rótulos juntos, existe um padrão. As informações estão sempre organizadas da mesma forma, cada cerveja tem uma pequena história ali. Isso ajuda tanto na leitura quanto na construção da marca como um todo em todos os lugares onde produzimos.


A Japas Cervejaria já está ganhando outros mercados e começou a operar fora do Brasil. Houve alguma mudança quando a marca passou a circular em outros contextos?

Fernanda Ueno: Quando começamos a produzir nos Estados Unidos, isso trouxe um novo tipo de desafio. Aqui no Brasil, a história da marca é mais fácil de entender, lá fora, sempre surgia a dúvida de “como explicar uma marca brasileira, com referências japonesas, chamada Japas?”

Esse movimento fez com que começássemos a explorar mais o lado brasileiro também. Hoje, existe uma linha em que trabalhamos essa mistura de ingredientes brasileiros e japoneses de forma mais explícita.

Ao mesmo tempo, isso também abre muitas possibilidades. 

Levar a história da imigração japonesa no Brasil para outros países gera muita curiosidade, porque muita gente não faz ideia do tamanho dessa comunidade aqui e isso acaba criando uma conexão rápida com quem está conhecendo a marca pela primeira vez. Acho que agora é só conquistar o mundo [risos].

A gente já produziu em Taiwan e, agora, estamos começando a operação na Europa, seguindo esse mesmo modelo que já usamos no Brasil e nos Estados Unidos.

Maíra Kimura: Apesar de ser um cenário diferente, o crescimento aconteceu de forma bem natural.

Nos Estados Unidos, começamos em três estados e hoje já estamos em dezenove, além de Washington, D.C. E ainda temos mais planos de expansão. Existe uma base que já está muito bem construída, então fica mais fácil adaptar portfólio, ajustar receitas e entender o que faz sentido em cada lugar.

Depois de tantos anos, também tem um pouco dessa sensação de reconhecimento. No começo, não tinha retorno  e era tudo muito mais instável. Agora, tudo começa a se consolidar de outra forma.

Cerveja Oishii [310ml] – Witbier. Receita suave e refrescante com gengibre, sementes de coentro e cascas de laranja. Reprodução: Japas Cervejaria


Vocês trabalham juntas há muitos anos, inclusive à distância. O que faz essa dinâmica funcionar?

Fernanda Ueno: A gente passou por muitas fases, mas sempre funcionamos muito bem juntas. É até meio bizarro [risos], às vezes entramos em uma reunião pra pensar o ano inteiro e saímos com tudo resolvido. As coisas rendem rápido. 

Existe esse costume de trabalhar uma com a outra que faz diferença e acho que a Japas só existe até hoje porque trabalhamos muito bem juntas. Tem muita troca, muita ajuda.

Cada uma tem um foco maior, mas isso nunca ficou travado. A Yumi está mais na arte, mas participa das ideias de cerveja, de ingredientes. A gente também dá pitaco nos rótulos, então tudo acaba sendo construído em conjunto.

A distância também sempre fez parte. Desde o começo, cada uma estava em um lugar. Eu morava em Ribeirão, depois fiquei três anos na Bélgica. A Yumi sempre esteve em São Paulo, a Maíra também se movimentou bastante.

Agora estou de volta ao Brasil, em São Paulo, há quase dois anos, e mais dedicada à Japas. Isso fez com que a gente passasse a participar mais de eventos também.

Mas, no geral, o jeito de trabalhar continua muito baseado nisso: proximidade, troca e confiança.


Ao longo da trajetória da Japas, em algum momento vocês já se depararam com a ideia de que cerveja não é coisa de mulher?

Fernanda Ueno: Sim, desde o começo. Já teve muita situação em evento de a gente estar servindo cerveja e alguém perguntar: “quem é o cervejeiro?” ou então “qual é a cerveja que você tem para mulher?”.

No início, isso acontecia bastante, mas hoje já melhorou muito, para ser sincera. Faz tempo que não passo por uma situação assim. Acho que também tem a ver com o espaço que a gente foi conquistando. Em muitos festivais, as pessoas já conhecem a Japas.

Quando é um público mais leigo, ainda pode acontecer, mas não é mais como era antes.

Maíra Kimura: E é curioso, porque, historicamente, a produção de cerveja sempre esteve ligada às mulheres. De certa forma, tem também esse movimento de retomar um território que já foi nosso.


Quando vocês olham para a Japas no futuro, o que precisa continuar existindo ali? Como entram essas outras frentes [collabs, produtos, novos formatos] nessa construção?

Maíra Kimura: Acho que tem muito a ver com a nossa identidade. Hoje, a gente ainda é muito a cara da marca e existe uma dúvida mesmo de como isso vai ser mais pra frente. Não tem uma resposta pronta.

Ao mesmo tempo, já existe uma base ali. A gente imprimiu a nossa personalidade e nossas histórias no DNA da marca, então tem uma semente que já foi plantada e que está dando frutos. O que vem depois ainda é uma construção.

Fernanda Ueno: Também existe uma vontade de não ficar só na cerveja. Já começamos a transitar por outros lugares, com roupas, acessórios, collabs com outras marcas. Não só com cervejarias. 

Isso não é tão comum dentro do mercado cervejeiro. Agora, por exemplo, a gente está desenvolvendo uma collab que mistura roupa e cerveja, também estamos trabalhando em uma linha de não alcoólicos. Então eu acho que a ideia é expandir um pouco além da cerveja.

Maíra Kimura: A Japas é uma marca muito versátil. Dá pra pegar coisas que já fazem parte do nosso universo, como o jasmim, que é um ingrediente muito presente nas nossas cervejas, e transformar em outras coisas. Uma essência, um chá…

Existe um campo muito grande que ainda não foi explorado.

Fernanda Ueno: E muitas coisas surgiram de forma bem natural. As collabs, por exemplo, vieram de relações que já existiam, fizemos projetos com amigos, com pessoas próximas, e foi acontecendo. No e-commerce também foi assim. Começou com coisas mais simples e foi crescendo.

A primeira coleção mais estruturada foi a Coleção Konbini, inspirada nas lojas de conveniência japonesas. As ideias vêm muito do que dá vontade de fazer. 

Shooting da coleção Konbini – linha de camisetas e acessórios da Japas Cervejaria. Reprodução: Japas Cervejaria


A parte de bebidas talvez seja onde entra mais estratégia, principalmente por conta da queda no consumo de álcool. Mas, fora isso, muita coisa veio de forma orgânica, mas já começamos a olhar para essas outras frentes também de um jeito mais estruturado.

Maíra Kimura: A gente tem muitos planos de expansão e de não ser só uma cervejaria. A gente já não é só uma cervejaria.


ECOS SUBVERSIVOS

Ideias e aleatoriedades que não couberam na entrevista [mas você precisa descobrir]

Se vocês fossem indicar a primeira Japas que uma pessoa precisa tomar, qual seria?

Maíra Kimura: Se fosse escolher uma, seria a Matsurika. É a nossa mais vendida, está em todos os mercados onde a gente já atuou. Acaba sendo a mais icônica.

Fernanda Ueno: Ela é mais acessível também. Para quem não está tão dentro do universo da cerveja artesanal, funciona como uma porta de entrada. Não tem um wasabi, por exemplo, então não causa um estranhamento logo de cara.


Uma memória que é especial e que sempre volta quando vocês pensam na Japas.

Maíra Kimura: Acho que para mim foi a decisão de mudar de carreira. Quando deixei o marketing para virar cervejeira. Não foi um momento específico, foi um período em que entendi que queria fazer essa virada.

Fernanda Ueno: A primeira Kurafuto. Acho que ali veio uma sensação de “estamos fazendo um negócio muito incrível”. A gente tem esse evento e se reúne não só pela cerveja, mas por reunir a comunidade, outros expositores nipo-brasileiros, coisas muito diferentes acontecendo juntas. Foi meio uma confirmação.


Uma coisa que vocês costumam fazer juntas quando se encontram.

Maíra Kimura: Todas nós somos muito ligadas à gastronomia. Todas nós gostamos de comer bem e quando estamos juntas sempre vamos em algum lugar onde já estávamos planejando ir para festejar juntas. A gente gosta muito desse universo, que também dá muita inspiração para a gente. 


Qual o próximo passo que vocês pretendem tomar para a Japas? 

Maíra Kimura: Trazer mais materialidade para a marca. Pensar em um espaço físico, um bar, alguma coisa mais física mesmo. A Japas sempre foi muito cigana, muito virtual, nunca tivemos um escritório físico. Muita gente pergunta “onde eu posso beber sua cerveja?” e não tem um lugar onde você possa ir e encontrar a gente, sabe.

Então isso é uma coisa para o futuro que estamos começando a olhar com mais seriedade agora.


Tem algum projeto ou marca que todo mundo deveria conhecer hoje?

Maíra Kimura: A Komorebi que é uma tradutora e faz uns conteúdos super profundos sobre cultura japonesa. Ela ficou muito tempo lá no Japão e são os conteúdos mais profundos que eu conheço. 

Fernanda Ueno: A gente sempre acaba encontrando eventos da Japan House ou do consulado, ela é uma amiga querida e já fizemos até uma collab de conteúdo com ela também.